terça-feira, 26 de maio de 2009

E dá-lhe entrevista !!!

Mais uma entrevista quentinha pra vocês que o Compartilhando Moda conseguiu com o queridíssimo produtor e estilista Jeomar Vidal.





Compartilhando Moda: Como e quando tudo começou?

Jeomar Vidal: Começamos a editar a Fina Stampa Oficial em 2002 na cidade de Ubá, Minas Gerais. Nessa ocasião não tínhamos experiência para fazer editoriais, elaborar pautas e dirigir equipes. Então me vi com essa responsabilidade junto com outros sócios. Posso dizer que era bem complicado. Pois uma coisa é você estudar determinada matéria, outra coisa é você de cara partir para a prática sem o conhecimento da teoria.

C.M: Qual o motivo da escolha desta profissão (Produtor de moda)?

J.V: O motivo foi por necessidade, pois como estávamos no princípio do projeto, não tínhamos o capital suficiente para bancar profissionais capacitados. Daí, eu coloquei a mão na massa.

C.M: Teve alguma dificuldade na profissão, se sim, pode nos contar?

J.V: No princípio eu achava tudo muito chato, pois era muito trabalho e o mercado onde estávamos era pouco receptivo ao nosso projeto. Ubá tinha vocação para a fabricação de móveis e a nossa cabeça estava voltada para a moda. Com exceção de meia dúzia de empresários que entendeu que a coisa poderia estar ligada ao design de produtos em geral e não puramente no mercado de móveis populares. Nossa visão era mais ampla, de dentro pra fora. E os possíveis clientes não confiavam que o projeto tivesse futuro. Então, como a caravana não podia parar, tínhamos que desenvolver múltiplos papéis. No meu caso, passei a ser na marra um editor de moda. De cara fui para as ruas ver vitrines com olhos de editor, visitando lojas, pesquisando tendências, buscando sapatos para as fotos... E ao mesmo tempo eu tinha um horário pouco flexível, pois também trabalhava como estilista de sapatos para a grife Cláudia D’ávila. E de modo que fui me adaptando e tomando gosto pela coisa e vi que aos poucos poderia aprender e fazer bem isso; apesar do tempo muito corrido para realizá-los. E tinha outro agravante, como estávamos numa cidade onde o mercado de moda era pequeno, não dispúnhamos de muitos recursos, como modelos profissionais e pessoas expert no assunto de produção e muito menos capital de giro. Mas cheguei a fazer trabalhos interessantes com pessoas de muita garra e talento como: Miron Soares, Marcelo Mostaro, José Camarano, Kysi Condé, Alcione Delazari, entre outros. Então tudo foi um aprendizado... Um tempo valioso que passou...

C.M: Qual editorial que mais te marcou?

J.V: Foi um com o título de Moderno Mutante. Mas vamos voltar a fita... Deixamos Ubá para trás e rumamos para a Divinópolis no centro-oeste mineiro. Vimos de cara uma cidade muito moderna e aquele novo ambiente deu inspiração para o novo editorial.
Botamos na cabeça que precisávamos de algo mais conceitual em termos de estilo e que a modelo não poderia ser uma mulher comum. Buscávamos um novo rosto tropical, que fosse exótico e que tivesse ao mesmo tempo os padrões de medidas internacionais. E andando absorto pelas ruas de Divinópolis encontrei o rosto que precisávamos: a modelo Maria Alvarez. Digamos que esse editorial foi o divisor de águas. Com essa produção vimos que poderíamos ir mais longe... era hora de mudar de novo.

C.M: Em seus editoriais tem alguma semelhança, por exemplo, algum ponto que acha indispensável, que não pode faltar?

J.V: Vou te falar uma coisa, depois que aportamos de vez em Nova Serrana, minha visão de fazer produção de moda mudou muito. Fiquei mais detalhista, passei a acompanhar tudo de perto... A querer o melhor maquiador, o melhor cabeleireiro... De modo que fiquei criterioso nas escolhas. E partido das experiências anteriores notei que a boa modelo é fundamental, mas também não podemos esquecer do fotógrafo, pois ele é o olhar que vai agrupar todas as informações que queremos passar. Nesse ponto gosto de trabalhar com o fotógrafo Otavio Fam, temos uma ótima sintonia profissional.

C.M: Qual a parte de um editorial que mais gosta de fazer?

J.V: Montar o visual, colocar a mão, olhar o todo, deixar a mulher mais intrigante e bonita. Fazer dela uma nova personagem.

C.M: Como faz a escolha do que por nos editoriais?

J.V: Parto de uma idéia pré-concebida rabiscada em papéis. Depois vejo se encontro aquilo no mercado. Espalho as peças no ambiente, e depois jogo no manequim de atelier. Mas a princípio foco mesmo nos sapatos. Eles são prioridades pra mim, pois não gosto de editoriais que não mostram os pés.

C.M: Sei que atua como estilista também, e isso facilitou para fazer as produções?

J.V: Logicamente que sim, pois sou um profissional que pesquisa muito no aprimoramento do meu trabalho como estilista; ao mesmo tempo aproveito pra ver as informações com olhos de produtor.

C.M: E por fim, conta com muitos colaboradores para fazer suas produções, editoriais?

J.V: Sim. Sem os colaboradores fica impossível editar. O material humano é imprescindível para um trabalho consistente, de expressão. Sem as pessoas que estão por trás das produções, as idéias perdem a força. Trabalhando em equipe os sonhos tomam formas surpreendentes, inesperadas...

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